segunda-feira, 25 de abril de 2011

Adelino Fontoura

Adelino Fontoura. Poeta Maranhense que entrou para o quase anonimato.






















Adelino Fontoura apresenta uma poesia confessional, assinalada por sentimentos claramente românticos: anseio, pesar, angústia, saudade e melancolia em Consolação: Longe de ti, ó meu amor, não vivo!/ Eu morro só de amar-te e de querer-te,/ E mal sabes as lágrimas que verte/ Meu triste coração contemplativo!

A melancolia parece percorrer toda a poesia de Adelino Fontoura, segundo as postulações de Freud em seu ensaio “luto e melancolia” de (1999, p. 89-90), aquela se apresenta com “um desânimo profundamente penoso, a cessão de interesse pelo mundo externo, a perda da capacidade de interesse de amar, a inibição de toda e qualquer atividade, e uma diminuição dos sentimentos de auto-estima [...]”. Pois é aqui que o eu lírico iguala a perda do amor com a morte física em Minha musa:

Minha musa pensativa,
Meu deleite e minha dor!
Morro!... pois foges esquiva,
Minha musa pensativa,
Aí! Não me peças que eu viva,
Vivendo sem teu amor!
Minha musa pensativa,
Meu deleite e minha dor!

O Dono do Mar
















Estou escrevendo um artigo sobre O Dono de Mar de Jose Sarney. A história é muita boa.


A obra O dono do mar de Jose Sarney publicada em 1995, é uma espécie de narrativa com entrelaçamentos diversos, em que identidades anulam-se para recriarem a precariedade do ser humano, é ainda, marcada pelas presenças ardilosas do realismo mágico e do erotismo que parecem movimentar as ações dos personagens e fornecem o fio condutor que articula a temática do mistério.

O texto que Sarney coloca a disposição de seus leitores é um texto povoado por criaturas incomuns, envoltas em episódios muitas vezes surreais, porém nunca banais, pois representa de forma não absurda as crenças da maioria das pessoas que vivem em zonas rurais: o misticismo a cerca de demônios que parecem rondar as suas vidas. O que o leitor localiza em grande parte da obra deste escritor são mulheres pecadoras, pervertidas, personagens solitárias e submersas em ansiedades e frustrações.

CAPITU SOU EU
















“Capitu sou eu” é o conto-título da obra de Dalton Trevisan que conta o caso amoroso e doentio de uma professora universitária e um aluno rebelde. O relacionamento do casal é inspirado pela célebre personagem de Machado de Assis e trata da questão da moral feminina, do sentimento de culpa e do julgamento de valores. Ao escolher esse título para o conto, Trevisan promove um diálogo com Machado de Assis e Gustave Flaubert, sendo que com o primeiro há uma referência direta, enquanto que com o outro a relação é subentendida.

A personagem de Trevisan leva vantagem em relação a essas duas heroínas. Mulher independente, culta, divorciada, com um bom emprego e, aparentemente, livre para relacionamentos. No entanto há um limite para essa liberdade, uma vez que, ao se relacionar com um rapaz dez anos mais novo ela está contrariando um padrão de comportamento, está quebrando a barreira da convenção social. Encontramos, no conto, uma situação oposta: se de um lado a professora é censurada por ter um caso com seu aluno, por outro lado, o jovem não sofre pressão alguma, pelo contrário, o fato dele estar se relacionando com uma mulher mais experiente é visto como sinal de virilidade. A sociedade permite que o homem se aventure em várias relações sexuais sem deturpar sua imagem, além disso a construção de sua imagem se fará por essas relações.





Lincoln Raniere

Professor

Está mais do que na hora de expor essa vergonha nacional. (Retirado do blog da professora Luciane Lira)


Foi uma tragédia fartamente anunciada. Em milhares de casos, desrespeito. Em outros tantos, escárnio. Em Belo Horizonte, um estudante processa a escola e o professor que lhe deu notas baixas, alegando que teve danos morais ao ter que virar noites estudando para a prova subseqüente. (Notem bem: o alegado “dano moral” do estudante foi ter que... estudar!).
A coisa não fica apenas por aí. Pelo Brasil afora, ameaças constantes. Ainda neste ano, uma professora brutalmente espancada por um aluno. O ápice desta escalada macabra não poderia ser outro.
O professor Kássio Vinícius Castro Gomes pagou com sua vida, com seu futuro, com o futuro de sua esposa e filhas, com as lágrimas eternas de sua mãe, pela irresponsabilidade que há muito vem tomando conta dos ambientes escolares.
Há uma lógica perversa por trás dessa asquerosa escalada. A promoção do desrespeito aos valores, ao bom senso, às regras de bem viver e à autoridade foi elevada a método de ensino e imperativo de convivência supostamente democrática.
No início, foi o maio de 68, em Paris: gritava-se nas ruas que “era proibido proibir”. Depois, a geração do “não bate, que traumatiza”. A coisa continuou: “Não reprove, que atrapalha”. Não dê provas difíceis, pois “temos que respeitar o perfil dos nossos alunos”. Aliás, “prova não prova nada”. Deixe o aluno “construir seu conhecimento.”Não vamos avaliar o aluno. Pensando bem, “é o aluno que vai avaliar o professor”. Afinal de contas, ele está pagando...
E como a estupidez humana não tem limite, a avacalhação geral epidêmica, travestida de “novo paradigma” (Irc!), prosseguiu a todo vapor, em vários setores: “o bandido é vítima da sociedade”, “temos que mudar ‘tudo isso que está aí’; “mais importante que ter conhecimento é ser ‘crítico’.”
Claro que a intelectualidade rasa de pedagogos de panfleto e burocratas carreiristas ganhou um imenso impulso com a mercantilização desabrida do ensino: agora, o discurso anti-disciplina é anabolizado pela lógica doentia e desonesta da paparicação ao aluno – cliente...
Estamos criando gerações em que uma parcela considerável de nossos cidadãos é composta de adultos mimados, despreparados para os problemas, decepções e desafios da vida, incapazes de lidar com conflitos e, pior, dotados de uma delirante certeza de que “o mundo lhes deve algo”.
Um desses jovens, revoltado com suas notas baixas, cravou uma faca com dezoito centímetros de lâmina, bem no coração de um professor. Tirou-lhe tudo o que tinha e tudo o que poderia vir a ter, sentir, amar.
Ao assassino, corretamente, deverão ser concedidos todos os direitos que a lei prevê: o direito ao tratamento humano, o direito à ampla defesa, o direito de não ser condenado em pena maior do que a prevista em lei. Tudoisso, e muito mais, fará parte do devido processo legal, que se iniciará com a denúncia, a ser apresentada pelo Ministério Público. A acusação penal ao autor do homicídio covarde virá do promotor de justiça. Mas, com a licença devida ao célebre texto de Emile Zola, EU ACUSO tantos outros que estão por trás do cabo da faca:
EU ACUSO a pedagogia ideologizada, que pretende relativizar tudo e todos, equiparando certo ao errado e vice-versa;
EU ACUSO os pseudo-intelectuais de panfleto, que romantizam a “revolta dos oprimidos”e justificam a violência por parte daqueles que se sentem vítimas;
EU ACUSO os burocratas da educação e suas cartilhas do politicamente correto, que impedem a escola de constar faltas graves no histórico escolar, mesmo de alunos criminosos, deixando-os livres para tumultuar e cometer crimes em outras escolas;
EU ACUSO a hipocrisia de exigir professores com mestrado e doutorado, muitos dos quais, no dia a dia, serão pressionados a dar provas bem tranqüilas, provas de mentirinha, para “adequar a avaliação ao perfil dos alunos”;
EU ACUSO os últimos tantos Ministros da Educação, que em nome de estatísticas hipócritas e interesses privados, permitiram a proliferação de cursos superiores completamente sem condições, freqüentados por alunos igualmente sem condições de ali estar;
EU ACUSO a mercantilização cretina do ensino, a venda de diplomas e títulos sem o mínimo de interesse e de responsabilidade com o conteúdo e formação dos alunos, bem como de suas futuras missões na sociedade;
EU ACUSO a lógica doentia e hipócrita do aluno-cliente, cada vez menos exigido e cada vez mais paparicado e enganado, o qual, finge que não sabe que, para a escola que lhe paparica, seu boleto hoje vale muito mais do que seu sucesso e sua felicidade amanhã;
EU ACUSO a hipocrisia das escolas que jamais reprovam seus alunos, as quais formam analfabetos funcionais só para maquiar estatísticas do IDH e dizer ao mundo que o número de alunos com segundo grau completo cresceu “tantos por cento”;
EU ACUSO os que aplaudem tais escolas e ainda trabalham pela massificação do ensino superior, sem entender que o aluno que ali chega deve ter o mínimo de preparo civilizacional, intelectual e moral, pois estamos chegando ao tempo no qual o aluno “terá direito” de se tornar médico ou advogado sem sequer saber escrever, tudo para o desespero de seus futuros clientes-cobaia;
EU ACUSO os que agora falam em promover um “novo paradigma”, uma “nova cultura de paz”, pois o que se deve promover é a boa e VELHA cultura da “vergonha na cara”, do respeito às normas, à autoridade e do respeito ao ambiente universitário como um ambiente de busca do conhecimento;
EU ACUSO os “cabeça – boa” que acham e ensinam que disciplina é “careta”, que respeito às normas é coisa de velho decrépito,
EU ACUSO os métodos de avaliação de professores, que se tornaram templos de vendilhões, nos quais votos são comprados e vendidos em troca de piadinhas, sorrisos e notas fáceis;
EU ACUSO os alunos que protestam contra a impunidade dos políticos, mas gabam-se de colar nas provas, assim como ACUSO os professores que, vendo tais alunos colarem, não têm coragem de aplicar a devida punição.
EU VEEMENTEMENTE ACUSO os diretores e coordenadores que impedem os professores de punir os alunos que colam, ou pretendem que os professores sejam “promoters” de seus cursos;
EU ACUSO os diretores e coordenadores que toleram condutas desrespeitosas de alunos contra professores e funcionários, pois sua omissão quanto aos pequenos incidentes é diretamente responsável pela ocorrência dos incidentes maiores;
Uma multidão de filhos tiranos que se tornam alunos -clientes, serão despejados na vida como adultos eternamente infantilizados e totalmente despreparados, tanto tecnicamente para o exercício da profissão, quanto pessoalmente para os conflitos, desafios e decepções do dia a dia.
Ensimesmados em seus delírios de perseguição ou de grandeza, estes jovens mostram cada vez menos preparo na delicada e essencial arte que é lidar com aquele ser complexo e imprevisível que podemos chamar de “o outro”.
A infantilização eterna cria a seguinte e horrenda lógica, hoje na cabeça de muitas crianças em corpo de adulto: “Se eu tiro nota baixa, a culpa é do professor. Se não tenho dinheiro, a culpa é do patrão. Se me drogo, a culpa é dos meus pais. Se furto, roubo, mato, a culpa é do sistema. Eu, sou apenas uma vítima. Uma eterna vítima. O opressor é você, que trabalha, paga suas contas em dia e vive sua vida. Minhas coisas não saíram como eu queria. Estou com muita raiva. Quando eu era criança, eu batia os pés no chão. Mas agora, fisicamente, eu cresci. Portanto, você pode ser o próximo.”
Qualquer um de nós pode ser o próximo, por qualquer motivo. Em qualquer lugar, dentro ou fora das escolas. A facada ignóbil no professor Kássio dói no peito de todos nós. Que a sua morte não seja em vão. É hora de repensarmos a educação brasileira e abrirmos mão dos modismos e invencionices. A melhor “nova cultura de paz” que podemos adotar nas escolas e universidades é fazermos as pazes com os bons e velhos conceitos de seriedade, responsabilidade, disciplina e estudo de verdade.


Igor Pantuzza Wildmann


Advogado – Doutor em Direito. Professor universitário.

terça-feira, 21 de dezembro de 2010











a princípio, bastaria ter saúde, dinheiro e amor, o que já é um pacote louvável, mas nossos desejos são ainda mais complexos.
Não basta que a gente esteja sem febre: queremos, além de saúde, ser magérrimos, sarados, irresistíveis.
Dinheiro? Não basta termos para pagar o aluguel, a comida e o cinema: queremos a piscina olímpica e uma temporada num spa cinco estrelas.
E quanto ao amor? Ah, o amor...
não basta termos alguém com quem podemos conversar, dividir uma pizza e fazer sexo de vez em quando.
Isso é pensar pequeno: queremos AMOR, todinho maiúsculo.
Queremos estar visceralmente apaixonados, queremos ser surpreendidos por declarações e presentes inesperados, queremos jantar à luz de velas de segunda a domingo, queremos sexo selvagem e diário, queremos ser felizes assim e não de outro jeito.
É o que dá ver tanta televisão.
Simplesmente esquecemos de tentar ser felizes de uma forma mais realista.
Ter um parceiro constante, pode ou não, ser sinônimo de felicidade.
Você pode ser feliz solteiro, feliz com uns romances ocasionais,
feliz com um parceiro, feliz sem nenhum.
NÃO EXISTE amor MINÚSCULO, PRINCIPALMENTE QUANDO SE TRATA DE AMOR-PRÓPRIO.
Dinheiro é uma benção. Quem tem, precisa aproveitá-lo, gastá-lo, usufruí-lo. Não perder tempo juntando, juntando, juntando.
Apenas o suficiente para se sentir seguro, mas não aprisionado.
E se a gente tem pouco, é com este pouco que vai tentar segurar a onda, buscando coisas que saiam de graça, como um pouco de humor, um pouco de fé e um pouco de criatividade.
Ser feliz de uma forma realista é fazer o possível e aceitar o improvável.
Fazer exercícios sem almejar passarelas, trabalhar sem almejar o estrelato, amar sem almejar o eterno.
OLHE PARA O RELÓGIO: HORA DE ACORDAR.
É importante pensar-se ao extremo,
buscar lá dentro o que nos mobiliza, instiga e conduz mas sem exigir-se desumanamente.
A vida não é um jogo onde só quem testa seus limites é que leva o prêmio.
Não sejamos vítimas ingênuas desta tal competitividade.
Se a meta está alta demais, reduza-a.
Se você não está de acordo com as regras, demita-se.
Invente seu próprio jogo.
FAÇA O QUE FOR NECESSÁRIO PARA SER FELIZ.
MAS NÃO SE ESQUEÇA QUE A FELICIDADE É UM SENTIMENTO SIMPLES,
VOCÊ PODE ENCONTRÁ-LA E DEIXÁ-LA IR EMBORA POR NÃO PERCEBER SUA SIMPLICIDADE.
ELA TRANSMITE PAZ E NÃO SENTIMENTOS FORTES, QUE NOS ATORMENTA E PROVOCA INQUIETUDE NO NOSSO CORAÇÃO.
ISSO PODE SER ALEGRIA, PAIXÃO, ENTUSIASMO, MAS NÃO FELICIDADE.

Mario Quintana - Felicidade Realista